A vida de um ícone



No último dia 25, alguns fãs de Michael Jackson, foram convidados pela Universal Pictures para assistir com exclusividade o documentário “Michael Jackson: A Vída de um Ícone”.

O documentário é dirigido por Andrew Eastel e produzido pelo amigo de infância do astro, David Gest. Envolve entrevistas com mais de 50 dos seus amigos próximos e familiares e deve revelar o que sua família passou durante seu julgamento de abuso sexual em 2005.

“‘Michael Jackson: A Vída de um Ícone’ é verdadeiramente notável, capta o verdadeiro caráter, inteligência e sensibilidade do meu filho. O produtor David Gest leva você a uma montanha-russa emocional que vai deixá-lo em lágrimas. Bem como compreender realmente o homem por trás da música que ele foi”, disse a mãe de Michael, Katherine.

David acrescentou: “Eu tentei mostrar Michael de forma única. Eu passei os últimos 15 meses viajando pelo mundo entrevistando pessoas que foram as mais importantes em sua vida. Eu acredito que este filme vai entreter e educar em medidas iguais sobre quem foi o verdadeiro Michael Jackson. Espero que o filme sirva como uma prova duradoura de compaixão e amor que ele tinha por toda a humanidade. Ele era um indivíduo muito complexo e este filme revela as diferentes facetas de sua personalidade.”

Nós também estivemos por lá representados por Dhay Araújo, fã a mais de 20 anos, ex-supervisora dos Fóruns Neverland e MJFanFórum, que fez um relato sobre o que viu no documentário.
“O documentário começa com a ligaçao para o 911. Como fã, fica bem dificil não se emocionar. Quase acho graça que em meio a emoção de um fã, passava pela minha cabeça: “o que realmente aconteceu naquele 25/6?”. E no fundo, acho que nem tenho mais a prepotência de saber… talvez nunca saberemos.

Muito antes de continuar minha divagação, David Gest apresenta-se como amigo
de Michael Jackson. Ele fala com emoção gostosa de se ouvir.


E antes que eu me empolgue, R.Taraborreli se apresenta como amigo de infância de MJ.Inacreditável ter um cara destes falando de MJ, mas claro que agora não é
hora se soltar suas pérolas esquisitas. Ele mostra o inverso do que mostrou no
Magia e Loucura… parece que decidiu, desta vez, ficar do lado do Mike.

O documentário refaz a trajetória dos Jacksons Five, com imagens que eu nunca
tinha visto antes, não sem antes mostrar a história de Katherine e Joe e vários
depoimentos de Rebbie e Tito Jackson.

A trajetória, os ensaios e o comportamento de Mike antes de entrar na Motown. Engraçado como desmitificam a velha história de que Diana Rossi quem os descobriu. Na lata, sem nenhuma volta: Não foi ela.
Jamais vi abordagem igual sobre o assunto.

Então, a entrada na Motown, o primeiro show histórico no Teatro Apollo. Mike crescendo e mudando sua voz. A saída da Motown e a entrada na CBS foi muito bem explorada.

Sem deixar de lado em nenhum momento a genialidade do Mike, mas ao contrário,
salientado em cada depoimento o quanto os Jackson 5 eram pouco para a
genialidade e a criatividade do Mike.

A super exposição ao tratamento de Joe aos meninos nãoo poderia ficar de fora, afinal aí está a primeira polêmica da familia Jackson. Mas desta vez, Rebbie e Tito até o defendem, dizendo que conseguem compreende-lo hoje, e ainda relatam que quem mais apanhava eram os mais velhos: Jemaine, Jackie e Tito.

Enfim, em algum momento os fãs poderão refletir no que pode ter sido Joe Jackson.

Embora haja este reconhecimento de Joe, existe a constatação afirmativa que próximo mesmo de Mike só Katherine.

Com um depoimento emocionante, Smokey Robinson, fala com todo carinho e
respeito do Mike, afirmando que ele é único. Com carinho e surpresa relembra sua
incompreensãoo de como Mike com 11 anos, conseguiu colocar tanta alma em “Who’s Loving You”, já que a canção fala de amor e com 11 anos ele não poderia
interpretar com a paixão que ele fazia sem entender. Mas Mike o fez. Chegando a
ter comentários no show do Smokey do porque ele cantava as músicas do Jackson 5? Algumas pessoas mal podiam acreditar que essa música era dele (Smokey Robinson) e não dos Jackson 5.

O depoimento do compositor de BEN, foi emocinante também, ele explica a letra da música e ainda revela que a parte :” I used to say “I” and “me” Now it’s “us”, now it’s “we”, não tinha a repetição na versão original e só teve porque Mike gostava e quis repeti-la.

A trajetória da Motown á CBS é ilustrada com imagens incríveis, mas o impacto vem na frase após a explicação que aquilo era muito pouco para MJ, mas ele nunca deixou os Jacksons, mas o último álbum gravado foi o “Destiny”.

A história com Quincy Jones foi bem resumida, mas bem falada. A história de Thriller, de forma meio suscinta mas gostosa, longe daquela saturada mesmice. O duro fica ainda pela imagem do Taraborreli, falando bem de Mike… só agora!

Claro que a polêmica de cirurgias de nariz também foram abordadas, mas de uma maneira mais tranquila.

Rebbie, David, Tito e Katherine falam que o Mike exagerou e a ironia fica por
conta daquele outro (Taraborreli) que escreveu em seu livro que Mike tirava o
nariz para dormir dizendo que adorou quando ele declarou (documentario do
Bashir) que não foi ele quem inventou a cirurgia plástica. Era como uma boa
resposta a tanta perseguição as suas cirurgias (*quem te viu e quem te vê, hein
Taraborreli).

Fiquei chocada com a cena do acidente da Pepsi. Sim, mostrada
na íntegra, com alguns segundo a mais que fora vazado no YouTube. Chocada com as imagens na íntegra, porém mais um momento que todos os fãs esperam, o
esclarecimento sobre este evento que culminou numa dependência de anlgésicos e
não so química ou psicológica, mas para amenizar dores. Também foi explicado o
processo cirúrgico. E ali, senti que nossa luta pela verdade até tem valido a pena.

Foi engraçado ver o Paul Anka explicando o “mal entendido” de “This is It” que foi resolvido com o pagamento dos direitos autorais. Mas ok, ele estava lá… explicando que a música cabia no projeto recém-lançado. E que valia até usar
esta música… Meio tosca a explicação. Mas pensando que fora lançado pela Sony,
parece mais claro.

Então, a partir daí quase nada sobre sua carreira. Nada de Dangerous, Invicible ou mesmo Bad.

Porém o record da transmissão do 30th Anniversary Special, no Madison Square Garden, vem junto com revelações intrigantes. Cascio relembra que Liz Taylor não queria ser acompanhante de Mike naquela noite (ele imitava a voz dela, engraçadissimo )e que com um presente, um colar de U$$ 250 mil ela aceitou ir como acompanhante naquela noite.

Mas na hora que Mike deveria entrar no palco ele ainda não havia chegado. Então,
ligaram para ele e ele estava dormindo, havia tomado altas doses de Demerol
devido a dor nas costas. Foram lá, buscaram-no e foi o arraso que já conhecemos.

Aqui, esta o maior presente que um fã poderia ter. Tudo que sempre esperei:
relatos da primeira acusação e claramente a má sugestão de muitos advogados. E
que o inferno começara ali, mas deixando claro a inocência mesmo com o
depoimento da Latoya sendo repassado apoiando as acusações. Mais que isso,
mostra trechos de aparições públicas de Tom Sneddon claramente perseguindo MJ.

Na segunda acusação foi ainda mais incrível, Tom Meseareau dando depoimentos
de bastidores. Explicando, por exemplo o quanto foi ridículo aquele julgamento
sem base nenhuma. Onde não encontraram nada na invasão de Neverland, além de revistas de mulheres nuas, que em nada apoiavam a teoria absurda de pedofilia.
Então, jeito que a promotria arranjou foi tentar convencer o júri de que estas
eram usadas para seduzir as vítimas.
Taraborreli defende Mike, lembrando que no julgamento ao passar o documentário de Bashir, muitos balançavam a cabeça dançando Billie Jean e ele diz que era uma comédia.

Foi uma abordagem linda do julgamento. Dessa injustiça que não pode jamais ser esquecida. Depoimentos de David, Taraborreli, Dileo, Kath, Rebbie, Tito e Meseareau.

E o desgaste e destruição que foi este julgamento para o Mike. A falta de saúde e de alegria neste momento.

O fim de um sonho, o não retorno a Neverland.

Mas a vitória da verdade que prevaleceu. Focaram a ausência de emoção do Mike ao ouvir o resultado “Not Guilt”, durante tempos. Mas tentaram explicar que este era o resultado do estrago das mentiras daquele julgamento.

Mas Taraborreli o defendeu, retirando a dúvida que deixou em seu livro.

E claro, casamento e filhos também tiveram seu foco. Taraborreli faz questao de dizer que não acreditava naquele casamento, ele dizia: “Mike como posso acreditar? Você é de Neverland e ela de Graceland!”, e ele só acreditou quando Lisa confirmu a união.

Depois o foco em Debbie Rowe e nos filhos. Mas um relato sem massacres.
Apenas a exigência de D. Katherine que filhos venham de casamento e então
casaram-se. E depois, o foco é no Blanket, que ninguem nunca descobriu quem
é a mãe. Ao final um depoimento do Tito fala sobre a vontade de Mike em
ajudar as pessoas, do ser humano, antes do artista.

Um documentário lindo, que esclarece o que muitos fãs sempre defenderam porque acompanharam a trajetória de Mike.

Parabéns aos produtores e a Universal por disponibilizar esse documentário.

Como fã eu realmente agradeço.”











Fonte: http://brasil.mjjunderground.com/2011/10/30/fas-brasileiros-em-sessao-exclusiva-assistem-michael-jackson-a-vida-de-um-icone/

Dangerous Africa



Dangerous Africa
Entrevista à "Ebony Magazine", em maio de 1992.


EBONY: Você tem algum sentimento especial sobre este retorno ao continente da África?

MICHAEL JACKSON: Para mim, é como o "amanhecer da civilização." É o primeiro lugar onde a sociedade existiu. É visto muito amor. Eu acho que tem esta conexão por ser a origem de todos os ritmos. Todos. É o lar.

EBONY: Você visitou a África em 1974. Você pode comparar o contraste entre as duas visitas?

MICHAEL JACKSON: Eu estou mais atento às coisas desta vez: as pessoas e como elas vivem e o seu governo. Mas para mim, eu estou mais atento aos ritmos à música e às pessoas. É o que eu tenho notado mais do que qualquer outra coisa. Os ritmos são incríveis. Você pode dizer exclusivamente pela maneira que as crianças se mexem. Até os pequenos bebês, quando eles ouvem a bateria, eles começam a se mexer. O ritmo, a maneira como ele afeta a alma deles e eles começam a se mexer. As mesma coisa que os negros têm na América...

EBONY: Como é se sentir como um verdadeiro rei?

MICHAEL JACKSON: Eu nunca tento pensar sobre isso porque eu não quero que entre na minha cabeça. Mas é uma grande honra...

EBONY: Falando em música e ritmo, como você produziu as canções gospel no seu último álbum?

MICHAEL JACKSON: Eu escrevi "Will You Be There?" na minha casa, "Neverland" na Califórnia... Eu não pensei muito para escrevê-la. É por isso que é difícil levar os créditos para as músicas que eu escrevo, porque eu sempre sinto que elas são feitas por uma força superior. Eu me sinto afortunado por ser o instrumento pelo qual a música corre. Eu sou apenas a fonte da qual ela vem. Eu não posso tomar crédito por ela porque é trabalho de Deus. Ele está apenas me usando como mensageiro...

EBONY: Qual foi o conceito para o álbum "Dangerous"?

MICHAEL JACKSON: Eu queria fazer um álbum que fosse como "Nutcracker Suite" de Tchaikovsky. Para que em cem anos à partir de agora, as pessoas estivessem ainda o escutando. Algo que viveria para sempre. Eu gostaria de ver crianças e adolescentes e pais e todas as raças em todo o mundo, centenas e centenas de anos daqui, ainda ouvindo as canções deste álbum e dissecando-as. Eu quero que ele viva.

EBONY: Eu notei nesta viajem que você fez um esforço especial para visitar crianças.

MICHAEL JACKSON: Eu amo crianças, como você pode ver. E bebês.

EBONY: E animais.

MICHAEL JACKSON: Bem, há um certo senso que animais e crianças têm que me dá uma certa corrente elétrica de criatividade, uma certa força que mais tarde na vida adulta é perdida por causa do condicionamento que acontece no mundo. Um grande poeta disse uma vez. "Quando eu vejo crianças, eu vejo que Deus ainda não desistiu do homem." Um poeta indiano da Índia disse isso, e seu nome é Tagore. A inocência das crianças representa para mim e fonte de criatividade infinita. Este é o potencial de todo ser humano. Mas quando você se torna um adulto, você está condicionado; você está tão condicionado pelas coisas que acontecem com você e isto se vai embora. Amor. Crianças são amáveis, elas não fazem fofoca, elas não reclamam, elas têm apenas o coração aberto. Elas estão prontas para você. Elas não julgam. Elas não vêem as coisas pela cor. Elas são bem ingênuas. Este é o problema com os adultos, eles perdem sua ingenuidade. E este é o nível de inspiração tão necessário e é tão importante para criar e escrever canções e para um escultor, um poeta ou um escritor. É o mesmo tipo de inocência, aquele mesmo nível de consciência, que você cria. E as crianças o tem. Eu sinto isso facilmente em animais e crianças e na natureza. É claro. E quando eu estou no palco. Eu não posso me apresentar se eu não tenho esse tipo de sentimento com a platéia. Você sabe o tipo de ação causa e efeito, reação. Eles estão me alimentando e eu estou apenas agindo à partir de sua energia.

EBONY: E para onde está tudo isso indo?

MICHAEL JACKSON: Eu realmente acredito que Deus escolhe pessoas para fazerem certas coisas, da maneira como Michelangelo ou Leonardo da Vinci ou Mozart ou Muhammad Ali ou Martin Luther King foram escolhidos. E esta é sua missão. E eu acho que ainda não penetrei na superfície da qual está meu propósito real de estar aqui. Eu estou compromissado com a minha arte. Eu acredito que toda arte tem seu objetivo de união entre o material e o espiritual, o humano e o divino. E eu acredito que esta é a verdadeira razão para a existência da arte e do que eu faço. E eu me sinto afortunado por ser aquele instrumento do qual a música jorra... Bem dentro de mim eu sinto que este mundo do qual vivemos é uma grande, enorme e monumental orquestra sinfônica. Eu acredito que em sua forma primordial de criação é som e não apenas som, é música. Você já ouviu a expressão, "música das esferas"? Bem, esta é uma frase literal. Nos Evangelhos, nós lemos, "E o Senhor Deus criou o homem da areia da terra e respirou dentro de suas narinas a respiração da vida e o homem se tornou uma alma viva." Esta respiração da vida para mim é a música da vida e ela penetra cada fibra da criação. Em uma das canções do álbum "Dangerous", eu digo: "Life songs of ages, throbbing in my blood, have danced the rhythm of the tide and flood." Esta é uma declaração literal, porque a mesma música que governa o ritmo das estações, o pulsar dos nossos corações, a migração dos pássaros, o andamento dos oceanos, os ciclos de crescimento, evolução e dissolução. É a música, o ritmo. E minha meta na vida é dar ao mundo o que fui sortudo em receber: os êxtase da união divina pela minha música e dança. É o meu propósito, é o porque eu estou aqui.

EBONY: E sobre política?

MICHAEL JACKSON: Eu nunca entro em política. Mas eu acho que a música acalma a besta da floresta. Se visualizar células num microscópio e colocar música, você verá que elas irão se mexer e dançar. Afeta a alma... eu ouço música em tudo. [Pausa] Sabe, isso foi o máximo que eu disse em oito anos. Você sabe que eu não dou entrevistas. Mas porque eu conheço você, eu confio em você. Você é a única pessoal em quem eu confio para dar entrevistas.

África, 1992.

COPYRIGHT © MICHAEL JACKSON EXTRAORDINARY 2003-2004 Todos os direitos reservados.

International Press,1992





Ele Desmaia, Mas Não Cai do Trono
Entrevista à International Press, em 18 de agosto de 1992


Preto? Branco? Bichinho? Gente? Robô? Gay? Celibatário? A coisa Michael Jackson é tudo isso e também a maior estrela da música pop. Aos 33 anos, ele desmaia mas não cai do trono. Apesar dos shows cancelados, sua atual turnê pela Europa continua sendo um grande acontecimento. Como os tempos parecem exigir, MJ dedica parte dos lucros à Fundação Heal the World, empresa beneficente através da qual o cantor ajuda as criancinhas do mundo. Seu mais recente lançamento no exterior é "Dancing The Dream" (Dançando o Sonho), livro de 150 páginas que inclui poemas, reflexões e fotografias de crianças e animais em extinção - "a expressão verbal do que digo através da música e da dança", traduz Michael. "Dangerous", o novo disco, pode não estar indo tão bem quanto os anteriores "Thriller" e "Bad", mas já ultrapassou a marca das 14 milhões de cópias no planeta.
Sempre cercado por mega-esquemas de segurança e produção, o cantor raramente fala à imprensa. A entrevista abaixo foi concedida por fax à repórter Glenn Paskin, da agência Intercontinental Press, pouco depois de uma apresentação em Munique, na Alemanha. De sua suíte no hotel, ele contou, entre um clichê e outro, um pouco sobre sua low life de pop star. Dias atrás, em Cardiff, no País de Gales, desmaiou em cena três vezes, assustando os 55 mil espectadores. Levado às pressas para Londres, em um comboio de oito limusines, teve um princípio de estafa diagnosticado e cancelou algumas das datas da excursão. Ele já se submeteu a seis cirurgias plásticas no rosto e está processando um jornal inglês que informou que ele estava "deformado". Aos nove anos, ele parou de apanhar do pai - que costumava lhe dar surras de tirar sangue - quando ameaçou deixar de cantar. Agora, precisa aprender um jeito de escapar do show business.


Glenn - Em seu livro "Dançando o Sonho", você chama a atenção para as crianças da Etiópia, gaivotas morrendo no óleo que a guerra fez vazar, soldados adolescentes... Você acha que as pessoas estão insensíveis a essas coisas?
Michael - Não creio. No mundo todo, estamos vendo um ressurgimento dos valores humanos básicos e da preocupação com a sacralidade de toda a vida do nosso planeta.
Glenn - Seu livro dá a impressão de que você vê a si mesmo como um filósofo. Isso é verdade?
Michael - Não. Tenho um objetivo, como todo mundo na Terra. Descobrir esse objetivo e viver para expressá-lo é acender a chama do divino dentro de nós.
Glenn - Os poemas e ensaios do livro vêm de um diário pessoal?
Michael - Não tenho diário. As idéias aparecem e são incubadas na minha cabeça.
Glenn - A solidão deixa você triste?
Michael - Sei viver a solidão. Ela pode ser uma experiência árdua, mas também significa amor e consciência a respeito de tudo na vida.
Glenn - Você constantemente fala em Deus e em espiritualidade, e foi criado como Testemunha de Jeová. Hoje você se considera uma pessoa religiosa?
Michael - Não me considero religioso no sentido de me submeter a dogmas específicos. Diria que sou espiritual. Acredito que há uma área da consciência onde podemos vivenciar nossa universalidade. Leio todo tipo de livros religiosos e acredito que há verdade em todos eles.
Glenn - Você se sente aprisionado pela fama?
Michael - Sim, a fama pode ser aprisionadora. Mas a melhor parte de ser Michael Jackson é saber que você pode interagir com milhões de pessoas. E nessa interação, sempre se troca algo.
Glenn - E o que é esse algo?
Michael - Amor. É animador. É mágico.
Glenn - Como você se sente quando está dançando no palco?
Michael - Eu danço para expressar minha bênção. Não faço muito esforço praticando, sinto a dança dançando por si mesma através de mim. Sou um instrumento para a expressão do êxtase.
Glenn - O que você come? Como se exercita?
Michael - Minha vida não é cheia de preocupações com dietas especiais ou exercícios diários. Me divirto com meus amigos ou sozinho. Gosto de ver filmes, ler livros, dançar - e, às vezes, gosto de não fazer nada.
Glenn - Depois da cena da pantera no clipe "Black Or White", foi especulado se você estaria dando vazão a enormes sentimentos de raiva...
Michael - Raiva é o primeiro passo para uma tomada de consciência. Se não sentimos raiva por algumas das iniqüidades e injustiças de nossa sociedade, não há esperança para a transformação.
Glenn - Seus vídeos são sempre superproduções. Você gostaria de participar de um longa-metragem?
Michael - Vou produzir e dirigir muitos filmes, filmes que tragam a mágica da vida, divertindo e fazendo as pessoas pensar.
Glenn - Quando você está compondo, a letra vem antes ou depois da música?
Michael - Primeiro escuto a música e sinto a dança. Depois, a letra vem espontaneamente.
Glenn - No livro, você escreveu que muitas crianças têm sua infância roubada. Como uma estrela-mirim, você se sentiu assim?
Michael - Certamente não tive uma infância comum, mas a mágica estava sempre lá.
Glenn - Você pensa em se casar algum dia?
Michael - Minha vida é o presente. E a graça da vida é pisar no desconhecido a cada manhã. Espero ansioso pelo futuro, traga ele o que trouxer

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Mundo Particular, 1982






O Mundo Particular de Michael Jackson








Sexta, 20 de agosto de 1982, 3:30 da tarde. Em algum lugar do Vale São Fernando. Bob Colacello chega ao condomínio que Michael Jackson e sua família estão alugando temporariamente enquanto sua casa está sendo re-decorada. Michael, de quem todos lembram como o cantor líder do Jackson Five, construiu uma sólida carreira solo para si mesmo - seu último álbum, "Off The Wall", vendeu aproximadamente 5 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos. Apesar dele ainda gravar com seus irmãos, agora conhecidos como The Jacksons, Michael tem trabalhado com superstars como Paul McCartney, Quincy Jones, Diana Ross e Steve Spielberg, todos dos quais são seus amigos. Enquanto esperava por uma ligação de Andy Warhol em Nova York, BC e MJ começaram a conversar sobre outra amiga próxima, Jane Fonda.

MICHAEL JACKSON: Na noite em que Henry Fonda morreu eu fui lá e fiquei com a família. Eles estavam conversando e assistindo todos os noticiários. Apesar do pai dela ter morrido, Jane ainda era capaz de mostrar um interesse na minha carreira, perguntando se eu já tinha conseguido o filme, e eu achei aquilo bem doce. Eu acho que eles esperavam que ele morresse há muito tempo. Há meses e meses e meses atrás ela estava falando como se fosse ser qualquer dia. Aconteceu e houve lágrimas às vezes e risos às vezes e eles comeram pouco.

BOB COLACELLO: Então o que você está fazendo? Você tem um filme para gravar?

MJ: Bem, agora eu estou terminando o álbum ["Thriller"] e me concentrando nele. Eu estou fazendo também o outro álbum, o álbum do E.T., ao mesmo tempo. Este álbum é uma novidade para mim porque eu nunca narrei uma história.

BC: O que é o álbum do E.T.?

MJ: É um álbum de história, um álbum duplo e eu estou narrando a história inteira e cantando a música que fizemos. Nós temos encontrado e conversado sobre isso com Steven [Spielberg] por muito tempo - nos juntando e falando sobre fazer dele o maior storybook album de todos os tempos.

BC: O álbum que você está fazendo, você escreveu tudo nele?

MJ: Eu escrevi quatro ou cinco canções.

BC: Steve [Rubell] me disse que você está fazendo algo com Paul McCartney.

MJ: Sim. Paul estava aqui e eu escrevi uma música chamada "The Girl Is Mine", nós cantamos juntos no meu álbum. Nós estamos brigando por causa de uma garota na música e saiu linda, no seu álbum também, nós escrevemos e cantamos duas canções juntas, a "Tug 'O War Part II" dele. Mas para mim é a canção que escrevi. Tem um rap no final onde nós estamos brigando por causa dela. É engraçado.

BC: Você é bem aberto para trabalhar com outros astros. Muitas pessoas não são.

MJ: Eu não sou, na verdade. Nem um pouco.

BC: Você trabalhou com Diana Ross...

MJ: Apenas pessoas muito especiais. Quero dizer, Diana é como uma mãe-amante-amiga para mim. Ela é maravilhosa. Eu acabei de escrever, produzir e editar o próximo single dela, "Muscles".

BC: Você escreveu as letras, também?

MJ: Letras, música - Eu acabei de terminar a canção e ela deve sair no fim deste mês.

BC: Onde você arranja todo este tempo para escrever?

MJ: Em aviões. Eu estava voltando da Inglaterra depois de trabalhar no álbum de Paul McCartney, zunindo no Concorde, e esta canção entrou na minha cabeça. Eu disse, "Hey, é perfeita para a Diana!" Eu não tinha um gravador nem nada então eu tive que sofrer por três horas. Quando eu cheguei em casa eu bati aquele bebê na fita.

BC: Você se importa com política?

MJ: Eu não gosto de falar sobre isso.

BC: Você não fala sobre isso com Jane [Fonda]?

MJ: Não, nós falamos. Ela é maravilhosa. Ela me ensina todos os tipos de coisa. Quando eu estava no set de "Golden Pond" eu fiquei com Jane na cabine e nós estávamos completamente sozinhos na água e nós apenas conversamos, conversamos, conversamos sobre tudo. Foi a melhor educação para mim - ela aprendia e eu aprendia. Nós falávamos sobre todos os tipos de coisa, você pode nomear: política, filosofia, racismo, Vietnã, atuação, todos os tipos de coisa. Era mágico.

BC: Onde você foi educado, por que você sempre estava na estrada.

MJ: Escolas particulares ou tutores.

BC: Você vem de Gary, Indiana? Como é crescer lá?

MJ: Na verdade, eu era tão pequeno que não me lembro. Quando eu tinha cinco anos eu estava em turnê, cantando e dançando. Sempre fora, sempre fora da escola. Eu apenas me lembro de coisas pequenas como a loja do bairro ou certas pessoas no bairro. O colegial atrás de nós sempre teve uma grande banda com trompetes e trombones e baterias saindo na rua - eu amava aquilo - como uma parada. É tudo que me lembro.

BC: Você gostava de se apresentar quando era criança? Você sempre amou isso?

MJ: Sempre amei. Eu sempre adorei o sentimento de estar no palco - a mágica que vem. Quando eu piso no palco é como se de repente uma mágica de algum lugar vem e o espírito chega em você e você perde o controle sobre si mesmo. Eu subi no palco do concerto de Quincy [Jones] no Rose Bowl e eu não queria subir no palco. Eu estava me escondendo e esperando que ele não me visse me escondendo atrás das pessoas quando ele me chamou. Então eu subi e fiquei louco. Eu comecei a subir na plataforma, nas caixas de som, no equipamento de luz. A platéia começou a gostar e eu comecei a dançar e cantar e é isso que aconteceu.

BC: Como você compara atuação a apresentação no palco?

MJ: Eu amo os dois. Atuação é como o creme da colheita. Eu amo me apresentar. É uma fuga fenomenal. Se você quer deixar sair tudo que você sente, é a hora de fazer. Com atuação, é como se tornar outra pessoa. Eu acho que isso é jóia, especialmente quando você esquece. Se você esquece totalmente, o que eu amo fazer, é quando é mágico. Eu amo criar magia - criar algo que não é comum, tão inesperado que choca as pessoas. Às vezes a frente de seu tempo. Cinco passos a frente do que o que as pessoas estão pensando. Então as pessoas vêem e dizem, "Uou, eu não estava esperando por isso." Eu amo surpreender as pessoas com um presente ou com uma apresentação ou qualquer coisa. Eu amo John Travolta, que saiu daquele show "Kotter". Ninguém sabia que ele podia dançar ou fazer todas essas coisas. Ele é tipo - boom. Antes dele saber, ele era o próximo grande Brando ou algo do tipo.

BC: Ele não tem feito muito ultimamente.

MJ: Eu sei. Eu acho que ele está escolhendo scripts e coisas assim. É sempre difícil para alguém competir contra seus sucessos passados.

BC: Me diga, quem você acha que tem revolucionado em seu trabalho em qualquer área?

MJ: Eu amo muito Steven Spielberg. Eu amo James Brown. Ele é fenomenal. Eu nunca vi um performer criar eletricidade numa platéia como James Brown. Ele tem todos em suas mãos e o que ele quer fazer com eles, ele faz. É fantástico. Eu sempre achei que ele é menosprezado. Eu amo Sammy Davis Jr., eu amo Fred Astaire. Eu amo George Lucas. Eu sou louco por Jane Fonda e Katharine Hepburn.

BC: Eu vi uma foto de você com Katharine Hepburn no set de "On Golden Pond".

MJ: Eu me sinto honrado em conhecer ela porque tem muitas pessoas que ela não gosta - ela te diz logo de cara se ela não gosta de você. Quando eu conheci ela eu estava um pouco nervoso porque você ouve essas coisas sobre ela - Jane me enturmou. Eu estava um pouco amedrontado. Mas, de cara, ela me convidou para jantar aquele dia. Desde então nós somos amigos. Ela veio ao nosso show - o primeiro show que ela foi na vida - no [Madison Square] Garden, e ela adorou. Nós ligamos um para o outro e ela me manda cartas. Ela é maravilhosa. Eu fui à casa dela em Nova York e ela me mostrou a cadeira favorita de Spencer Tracy e as coisas particulares dele no armário, seus penduricalhos. Eu acho ele mágico.

BC: Você é um fã de filmes antigos?

MJ: Oh, sim. Havia muita boa arte, boas atuações, boas direções, boas estórias. Quando se trata de coisas como "Captains Courageous" ou "Boys' Town", "Father Flanagan", "Woman of the Year" - esse tipo de coisa é irreal.

BC: Por que você não escreve uma estória?

MJ: Isso é o que estamos trabalhando agora. Nós estamos meio que brincando com isso, Quincy e Steven e eu - espero que possamos fazer algo com isso. Steven quer fazer um musical.

BC: Você gostaria de fazer Broadway?

MJ: Não agora. Eu acho que é bom para afiar suas habilidades. É a melhor forma para alcançar o auge do seu talento. Você vai tão longe e chega ao ponto mais alto dele e diz, "Talvez seja essa a melhor performance que eu posso fazer." O que é tão triste sobre isso é que você não grava o momento. Olhe quantos grandes atores ou entertainers se perderam no mundo porque eles fizeram uma performance uma noite e foi apenas isso. Com filme, você pode gravar isso, é mostrado ao mundo inteiro e estava lá pra sempre. Spencer Tracy será jovem em "Captains Courageous" e eu posso aprender e ser estimulado pela performance dele. Tanto é perdido no teatro, tanto. Você sabe o que eu poderia aprender assistindo todos estes entertainers? Seria irreal.

BC: A maioria das peças são gravadas agora, mas não toda noite.

MJ: É isso. O ator está tenso, ele está sendo filmado e as coisas não estão acontecendo naturalmente. É isso que eu odeio na Broadway. Eu sinto como se estivesse dando muito para nada. Eu gosto de gravar coisas e segurá-las e dividi-las então com o mundo todo.
BC: Parece que o que realmente o motiva é o seu desejo de entreter as pessoas, de agradá-las. E fama e dinheiro? Você poderia imaginar não ser famoso ou ser famoso te aborrece?

MJ: Nunca me aborreceu exceto alguns momentos em que você quer paz. Como ir ao cinema e dizer, "Ninguém vai me aborrecer essa noite, eu estou usando meu chapéu e óculos e eu vou me divertir com este filme e isso é tudo." Você chega lá e todo mundo está olhando para você e no clímax do filme alguém encosta no seu ombro pedindo por um autógrafo. Você sente como se não pudesse fugir.

BC: É por isso que você vive aqui no Valley em oposição a Beverly Hills onde todas as outras estrelas vivem?

MJ: Sim, mas é tão ruim quanto. Beverly Hills é pior porque todos vão lá procurando por eles.

BC: Você é muito ligado a seus pais. Eles vivem aqui em L.A.?

MJ: Sim. Minha mãe lá em cima. Meu pai lá no escritório.

BC: Como é um típico dia seu?

MJ: Sonhando acordado a maior parte do dia. Eu me levando cedo e fico pronto para o que eu tiver que fazer, composição ou o que seja. Planejando o futuro e coisas.

BC: Você é otimista em relação ao futuro?

MJ: Sim, eu sempre gosto de planejá-lo e seguí-lo.

BC: Liza Minelli é uma amiga sua, não?

MJ: Como eu poderia me esquecer dela? Eu sou louco por Liza. Adicione ela à minha lista de pessoas favoritas. Eu amo muito ela. Nós ficamos no telefone e apenas fofocamos, fofocamos e fofocamos. O que eu gosto em Liza é que quando estamos juntos é apenas conversas sobre show. Eu mostro a ela meus passos favoritos e ela me mostra os delas. Ela é uma performer estupenda, também. Ela tem verdadeiro carisma. Eu gostaria de gravar com ela no futuro. Eu acho que uma pessoa como ela deveria ser ouvida no rádio e aceitada. Ela é mágica no palco.

BC: Você se importa muito com moda?

MJ: Não. Eu me importo com o que eu uso no palco. Você sabe o que amo, no entanto? Eu não me importo com roupas do dia-a-dia. Eu amo vestir uma roupa ou uma fantasia e apenas olhar para mim mesmo no espelho. Calças baggy ou alguns sapatos bem funky e um chapéu e apenas sentir o personagem disso. É um grande divertimento para mim.

BC: Você gostar de atuar apenas na vida do dia-a-dia?

MJ: Eu amo muito isso. É uma fuga. É divertido. É legal se tornar outra coisa, outra pessoa. Especialmente quando você realmente acredita nisso e não é como se você estivesse atuando. Eu sempre odiei a palavra "atuar" - para dizer, "Eu sou um ator." Deveria ser mais do que isso. Deveria ser mais como uma crença.

BC: Mas isso não é um pouco assustador quando você acredita totalmente?

MJ: Não, é por esta razão que eu amo isso. Eu gosto de realmente esquecer.

BC: Por que você quer tanto esquecer? Você acha que a vida é muito difícil?

MJ: Não, talvez seja porque eu gosto de pular nas vidas das outras pessoas e explorar. Como Charlie Chaplin. Eu amo muito ele. O pequeno *********, todo o vestuário e seu coração - tudo o que ele representava na tela era truísmo. Era toda a sua vida. Ele nasceu em Londres, e seu pai alcoólatra morreu quando ele tinha seis anos. Sua mãe estava em um sanatório. Ele perambulava as ruas da Inglaterra, implorando, pobre, faminto. Tudo isso reflete na tela e é isso que eu gosto de fazer, trazer todas estas verdades para fora.

BC: Você se importa em ganhar dinheiro?

MJ: Eu me importo em ser pago de forma justa para o que eu faço. Quando eu começo um projeto, eu coloco todo o meu coração e alma nele. Porque eu realmente me importo com isso, eu coloco tudo o que eu tenho nele e eu quero ser pago. O cara que trabalha deve comer. É simples assim.

BC: Você acompanha seus negócios de perto então?

MJ: Oh, sim.

BC: Quantos anos você tem?

MJ: Vinte e três.

BC: Você às vezes sente como se tivesse perdido sua infância porque você sempre esteve se apresentando no mundo adulto?

MJ: Às vezes.

BC: Mas você gostar de pessoas mais velhas do que você, com mais experiência.

MJ: Eu amo pessoas com experiência. Eu amo pessoas que têm talentos fenomenais. Eu amo pessoas que trabalharam duro e são corajosas e são os líderes de seus campos. Para mim conhecer pessoas assim e aprender com elas, e dividir palavras com elas - para mim isso é mágico. Trabalhar juntos. Eu sou louco por Steven Spielberg. Outra inspiração para mim, e eu nem sei de onde veio, são as crianças. Se eu estou para baixo, eu pego um livro com fotos de crianças e olho para ele e isso apenas me levanta. Estar em volta de crianças é mágico.

BC: Há algo de positivo e encorajador nelas. Você tem muitos animais, não?

MJ: Eu tinha. No momento eu tenho apenas dois bebês veados, um macho e uma fêmea. Eles são tão doces. São maravilhosos.

BC: Eu nunca irei entender como as pessoas podem caçar veados.

MJ: Eu odeio isso. Eu odeio lojas de taxidermia e todo esse lixo. Eu tenho uma lhama. Eu tenho um carneiro - ele se parece como um carneiro com os chifres. Louie é do circo. Ele é uma lhama. O carneiro é chamado Sr. Tibbs.

BC: O que você vai fazer com eles quando eles crescerem?

MJ: Deixarei eles irem no jardim. Nós temos cerca de dois acres.

BC: Que tipo de carro você tem?

MJ: Um Rolls. Um preto.

BC: Você gosta de dirigir?

MJ: Eu nunca quis dirigir. Meus pais me forçaram a dirigir. Quincy não dirige. Muitas pessoas que eu conheço não dirigem.

BC: Andy [Warhol] não dirige.

MJ: Isso é inteligente. Mas é bom quando você quer um pouco de independência para sair. Mas eu não vou a muitos lugares. Eu não conheço muitos lugares. Eu apenas dirijo na rua.

BC: Você não sai muito?

MJ: Só para ir no Golden Temple, um restaurante de comida saudável. Eu sou vegetariano. Ou para ir na loja de videogames.

BC: Você se interessa por arte?

MJ: Eu amo desenhar - lápis, caneta à tinta - eu amo arte. Quando eu estou em turnê e visito museus como em Holanda, Alemanha ou Inglaterra - sabe aquelas pinturas enormes? - eu fico maravilhado. Você não acha que um pintor possa fazer algo como aquilo. Eu posso olhar para um obra de escultura ou um quadro e me perder totalmente nisso. Olhá-lo e me tornar parte da cena. Pode te fazer chorar, pode realmente te tocar. Você vê, é isso que eu acho que um ator ou performer deveria ser - tocar aquela verdade dentro da pessoa. Tocar aquela realidade de tal forma que eles se tornam parte do que você está fazendo e você pode os levar a qualquer lugar que quiser. Você está feliz, eles estão felizes. Qual seja a emoção humana, eles estão bem ali com você. Eu amo realismo. Eu não gosto de plásticos. No fundo todos somos iguais. Nós todos temos as mesmas emoções e é por isso que um filme como "E.T." toca todo mundo. Quem não quer voar como Peter Pan? Quem não quer voar com alguma criatura mágica de espaço afora e ser amigo dele? Steven foi direto ao coração. Ele sabe - quando em dúvida, procure o coração.

BC: Você é religioso, não é?

MJ: Sim. Eu acredito na Bíblia e eu acredito em Deus cujo nome é Jeová e tudo o que o envolve.

BC: Alguém disse que é por isso que você não se barbeia.

MJ: Oh não! Não cresce nada para eu barbear. Isto não tem nada a ver com isso.

BC: Então você é apenas um cristão básico.

MJ: Eu acredito na verdade.

BC: Você lê a Bíblia?

MJ: Sim, muito.
BC: Você vai à igreja?

MJ: Nós não a chamamos de igreja. É o Kingdom Hall. Das Testemunhas de Jeová.

BC: Você mencionou que vai ver Bette Midler amanhã? Vocês estão trabalhando em algo juntos?

MJ: Não, eu vou até esse cara chamado Seth Riggs. Quando eu canto, eu gosto que a minha voz se abra - como um dançarino se preparando.

BC: Então, são como aulas de respiração?

MJ: Certo. E logo após eu terminar, ela chega. Ela está sempre na hora.

(Andy Warhol liga de Nova York)

ANDY WARHOL: Olá?

MJ: Oi.

AW: Deus, isso é excitante. Sabe, toda vez que eu uso meu walkman eu coloco a sua fita cassete pra tocar.

MJ: Você tem visto Liza recentemente?

AW: Sim, eu vi. Ela estava na Europa mas eu a vi no show de moda no Halston. Ela mudou de penteado. O cabelo dela se parece com o seu agora. É bem encaracolado na frente e ela está diferente e muito bonita. Ela tem um ótimo novo look. Ela foi ao Halston semana passada e está em Nova York agora. Como você tem estado?

MJ: Eu tenho ido muito ao estúdio, escrevendo letras e trabalhando em canções.

AW: Eu provavelmente irei ver um grupo de rock inglês no Ritz hoje à noite chamado Duran Duran. Você conhece eles?

MJ: Não.

AW: Eu fui ver a Blondie no Meadowlands semana passada.

MJ: Como ela estava?

AW: Ela estava ótima. Ela é maravilhosa. Você a conhece?

MJ: Não, não a conheço.

AW: Bem, quando você vir a Nova York eu lhe a apresentarei. Sair em turnê é uma das coisas mais duras no mundo.

MJ: Viajar em turnê é algo - andar de um lado para o outro. Mas estar no palco é a coisa mais mágica nela.

AW: Eu mal posso esperar até você fazer um grande filme. Já te pediram para fazer algum?

MJ: Meu quarto está cheio de scripts e ofertas. E muitas delas são grandes idéias. Mas o tipo de pessoa que eu sou é que eu tenho alguém em mente que eu gostaria de trabalhar e eu estou tentando ter certeza de que faço a coisa certa. Eu não quero cometer um erro.

AW: Apenas faça todos eles. Você não pode errar. Você é muito bom. Você imaginou que quando maior seria um cantor?

MJ: Eu nem me lembro de não estar cantando, então eu nunca sonhei em cantar.

AW: Você ainda está colecionando roupas? Você tem um bom designer?

MJ: Na verdade, eu não coleciono nada a não ser quando eu vou estar no palco. A única coisa que eu gosto de colecionar são fantasias ou casacos de piratas e coisas assim. Mas roupas do dia-a-dia eu não me importo.

AW: O que você usa?

MJ: Agora eu estou usando calças de veludo cotelê com um grande buraco na joelho e blusa e gravata rosa.

AW: Você saiu muito ou fica em casa?

MJ: Eu fico em casa.

AW: Por que você fica em casa? É tão divertido sair. Quando você vier a Nova York sairemos juntos.

MJ: O único momento em que eu quero sair é quando eu estou em Nova York.

AW: Você vai ao cinema?

MJ: Oh, sim. Nós vamos trabalhar no álbum do E.T. Eu fiz uma sessão fotográfica com o E.T. e foi maravilhoso... ele está me abraçando e tudo.

AW: Eu gosto de Tron. É como jogar os video games. Você assistiu?

MJ: Sim. Não me emocionou.

AW: Bem, muito obrigado. Nos vemos em breve.

MJ: Eu espero que sim. Se você ver Liza, diga alô. Dê a ela um grande beijo e abraço por mim.

(AW desliga)

BC: Você gosta dos Rolling Stones? Você conhece Mick?

MJ: Eu o conheci em um banheiro. Ele estava lá com Keith - Keith Moon?

BC: Keith Richards.

MJ: Eu entrei lá e disse, "Oh, oi," e nós começamos a conversar. Depois eu voltei pra minha sessão. Eu realmente não o conheço tão bem.

BC: Você lê muito?

MJ: Sim. Eu amo ler. Eu gosto de filosofia e estórias curtas. Eu gosto de me manter atualizado com os best-sellers. O The Calendar in the Sunday L.A. Times é o meu jornal favorito. Ele realmente te informa sobre o que está acontecendo em todos os lugares. Eu tenho meus autores favoritos - não é como se eu apenas lesse os best-sellers. Eu gosto de ver o que eles estão fazendo e me manter informado sobre o que as pessoas estão interessadas. Tem muita coisa física agora.

BC: Você se exercita?

MJ: Todo domingo eu danço por 30 minutos diretos sem parar. Eu amo fazer isso.

BC: Por que domingo?

MJ: É apenas o dia que eu escolhi. Como eu jejuo todo domingo. Eu não como nada. Apenas sucos.

BC: Por que você faz isso?

MJ: Porque inunda o sistema, limpa o cólon. Eu acho isso ótimo. Para funcionar você tem de fazer certo. É o cano de esgoto do sistema. Você tem de mantê-lo limpo como você mantém a parte externa do seu corpo. Todas essas impurezas saem do seu sistema porque você não está limpo por dentro. Ela sai em espinhas ou doenças ou por grandes poros. Toxinas tentando sair do seu sistema. As pessoas deviam tentar se manter limpas.

BC: Você não lê a página um do jornal?

MJ: Não. Eu olho pra ela mas eu não a leio.

BC: Muito depressiva?

MJ: Sim. É sempre a mesma coisa. Eu gosto de fazer as pessoas felizes. Isso é que é ótimo no show business. É uma fuga. Você paga cinco dólares para entrar e sentar lá e você está em um outro mundo. Esqueça os problemas do mundo. É maravilhoso. É divertido. É mágico.

Jornal Libération, 1988.





Michael Jackson fala
Entrevista ao jornal francês "Libération", em 1988.


Depois da "laranja mecânica" holandesa, o furacão Michael Jackson prossegue sua turnê pelos estádios da Europa, deslocando uma avalanche de espectadores e dólares. A última escala foi Hamburgo, no sábado à noite, quando 55 mil alemães ocidentais se renderam voluntariamente aos encantos do bad boy tão efusivamente que 500 deles foram parar no serviço médico, dos quais 20 seguiram daí direto para o hospital. Na segunda e terça-feira passadas o cantor passou por Paris e sacudiu o estádio "Parc des Princes", reunindo cerca de 60 mil pessoas em cada apresentação. No caixa: US$ 3,3 milhões pelos dois shows.
Além dos acordes e das palavras do astro, o artefato Jackson é mantido no ar por simples mistério. A entrevista que se segue foi publicada pelo diários frânces Libération no dia da estréia do show em Paris, como parte de um dossiê sobre o astro: "Sete páginas para continuar a não entender nada do mistério Michael Jackson", confessava o jornal. Um mistério cuidadosamente cultivado pelo megastar com respostas lacônicas e recusas terminantes, em especial quando o assunto é a sua vida particular - ou negócios, como ele abertamente admite ao ser perguntado sobre seus planos referentes a atuação no cinema. "O futuro é que esclarece nossos atos, para nós mesmos assim como para os outros", esquiva-se. Ele fala das mulheres que têm lugar em sua vida - a irmã Janet, Diana Ross, Liz Taylor - e, com a autoridade de quem vendeu quase 15 milhões de cópias do LP "Bad" (segundo a gravadora Epic), diz que só quer "dar prazer aos outros" e lhes deseja unicamente paz e saúde, "os bens mais preciosos".

Libération: Falava-se depois da turnê "Victory", com seus irmãos, que você não faria mais concertos. E agora, este ano, você está fazendo shows solo...
Michael Jackson: Fazia muito tempo que eu não subia num palco, eu estava com muita vontade de recomeçar. Cada etapa foi cuidadosamente planejada, segundo minhas determinações.
Libération: Deve-se ver aí um sinal de que você está menos introvertido nesses últimos tempos?
Jackson: Eu não vou me curar nunca de minha timidez... mas, afinal, eu não acho que isso seja assim tão ruim. Ser reservado e mesmo assim ter confiança em si é uma virtude, notadamente no Japão.
Libération: Você está em vias de preparar um novo filme (Michael Jackson representou o espantalho em "The Wiz", em 1978). Você discutiu isso com Francis Ford Coppola, que realizou recentemente o seu (de Michael Jackson) "Captain EO", ou com Steven Spielberg, que o procurou para seu projeto de "Peter Pan"?
Jackson: Ainda é muito cedo para falar de tudo isso... Sem querer assumir ares misteriosos, como se trata de uma questão de negócios, não posso fazer qualquer declaração. Tudo o que eu posso lhe dizer é que esse filme trará uma mensagem de paz.
Liberátion: Você está satisfeito com "Captain EO"? Como foi que o filme chegou, finalmente, aos parques de diversões Disney?
Jackson: Estou muito contente com ele: todos nós tínhamos trabalhado muito lá. Adoro os efeitos especiais e a mensagem do filme.
Liberátion: Conta-se que o filme não pôde ser mostrado na Disneylândia de Tóquio porque você tinha exigido direitos elevados demais?
Jackson: Absolutamente.
Libération: Existe a possibilidade de que uma outra Disneylândia seja construída nos arredores de Paris, onde vive sua amiga Diana Ross. Não estaria você planejando instalar-se na Cidade Luz, você também?
Jackson: Eis duas excelentes razões para vir à França, mas não alimento nenhum projeto nesse sentido para o momento.
Libération: Você encontrou Diana Ross na época em que ela "descobria" os Jackson 5, quando você tinha dez anos. Vocês permaneceram muito ligados?
Jackson: Sim, muito próximos. Quando não nos vemos, falamos por telefone. Diana vive em Connecticut com seu marido norueguês, Arne Naes, e o filho.
Libération: Você tem planos de voltar a fazer discos com ela, por acaso?
Jackson: Compus algumas canções para Diana, mas não cantamos juntos há decadas. Nós estamos de fato juntos, todo o tempo, espiritualmente, nós cantamos em uníssono.
Libération: Você se afastou finalmente das Testemunhas de Jeová, depois de ter se engajado bastante nessa causa?
Jackson: Esse assunto diz respeito somente a mim.
Libération: É uma seita de orientação ultraconservadora... As Testemunhas de Jeová ficaram aparentemente constrangidas com sua imagem pública; você os deixou por sua própria conta ou...?
Jackson: O futuro é que esclarece nossos atos, para nós mesmos assim como para os outros. Mas, uma vez mais, eu não desejo abordar esse capítulo de minhas convicções espirituais por enquanto.
Libération: Mas o que se diz é para escrever suas músicas você põe sua inspiração na "consciência universal", que outros chamam de Deus. O "beat" lhe é inspirado por Deus?
Jackson: Pode ser interpretado dessa maneira. Mas não quero fazer qualquer comentário sobre isso.
Libération: Já que estamos nisso, o que você responde quando alguém lhe diz que sua irmãzinha evolui da mesma maneira que você?
Jackson: Penso que existe um estilo Jackson e que Janet conseguiu enfim fazer aquilo que ela queria.
Libération: Como você reage quando alguém lhe observa que ela é mais masculina do que seu irmão Michael?
Jackson: Janet será sempre ela mesma e, como o resto da família, tem muito talento. De fato, é o público que forma sua opinião e quem decide sobre o que interessa ou não, para ficar com aquilo que mais ama.
Libération: Você tem outras amigas, mulheres, em sua "entourage"... mais próxima?
Jackson: Todo mundo é meu amigo.
Libération: Você se tornou muito amigo de Liz Taylor. Diz-se que freqüentemente você vai até Hollywood para vê-la e que ela o visita em sua casa de Encino.
Jackson: Miss Taylor é uma mulher muito inteligente, muito curiosa e muito interessante.
Libération: Ela fez muita campanha pela pesquisa contra a AIDS; você chegou a pensar em ajudá-la nesse esforço?
Jackson: Este é um dos assuntos mais preocupantes desses últimos anos e bem merece que alguém se dedique a ele. Moralmente e financeiramente.
Libération: Você se sente entediado quando os meios de comunicação anunciam que Michael Jackson vale mais que um bilhão de dólares?
Jackson: Não acho isso muito interessante... A imprensa escreve todo tipo de coisas, mas esta não é a pior que ela pode escrever. De qualquer maneira, não leio nem um décimo delas. Se um jornalista ou um crítico têm verdadeiramente o desejo de comunicar seu desejo aos consumidores, eu acho isso muito bom, mas não tenho vontade de levantar questões sobre as motivações das críticas que não me são favoráveis. Prefiro concentrar-me sobre meu trabalho: dar prazer aos outros.
Libération: Sua popularidade vai muito além disso... Por exemplo, você quase conseguiu tornar a androginia respeitável.
Jackson: Cada um tem o direito de ser ele mesmo, de ser único.
Libération: Na qualidade de estrela superindividualista, o que é que você mais deseja no futuro?
Jackson: Paz e saúde para todo mundo; estes são os bens mais preciosos.
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Entrevista a Revista Hola 1984



Ano: 1984
Entrevista a Revista Hola 1984
Jornalista: Dave Nussbaum



“Quero aos meus fãs, mas os temo” Esta é a assombrosa afirmação que sobressai na mais franca conversa de Michael comigo. É adorado por milhões de pessoas e ele na realidade os teme.

“Alguns deles fariam qualquer coisa para chegar a você - comentou -. Não se dão conta de que o que estão fazendo pode chegar a ferir”.

“O único lugar do mundo onde me sinto completamente seguro, e em paz comigo mesmo, é sobre o palco. No palco me sinto vivo. Posso ser eu mesmo, expressar meus sentmentos e saber que ninguém vai me tocar e me arrancar nada”.

“Eu quero aos meus fãs e desejo que eles saibam disso. As pessoas necessitam de amor. É a emoção mais poderosa no mundo. Pode lhe fazer forte, pode lhe curar e pode lhe amparar”.

Enquanto falava, a jovem super estrela permanecia de pé, fora da sua mansão estilo Tudor, casa onde vive com sua mãe, Katherine, seu pai, Joseph e suas duas irmãs Janet e Latoya.

Vestia calça jeans descolorido, um suéter de Mickey Mouse e seu chapéu favorito, um de feltro preto com uma aba estreita, e, claro, óculos escuros que são sua proteção frente ao mundo.

Estava muito sério. Tinha consendido essa entrevista porque queria que seus “fãs” soubessem de seus sentimentos e como está tentando levar seu enorme sucesso. Pensa que é importante que seus fãs saibam que tipo de pessoa ele é realmente.

Enquanto conversávamos, seu guarda costa, Bill Bray, se encontrava junto dele a todo momento. Bray perteneceu a Policía de Los Angeles e trabalha para Michael há muitos anos. Ele é seu pai, seu amigo, seu irmão e sua companhia constante. É óbvio que mantem uma amizade muito forte. O papel de Bray junto a Michael parece ser algo mais que o de um guarda costa. Por ser de uma personalidade muito forte e Michael raramente fala ou responde a alguma pergunta sem antes olhar para Bray.

Michael me disse que se vem se sentindo profundamente ferido com o que os meios de comunicação falam sobre ele. “Cada vez que digo algo, alguém muda pelo avesso para vender alguns jornais ou revistas a mais”, me explicou. “Isto é por que não digo mais nada para a imprensa. Se não digo nada, não posso ser mal interpretado, não é? Espero que possa confiar em você”.

Michael me disse: “Sou mais que a pessoa que vem no palco, onde posso me expressar musicalmente, e abertamente,mas há mais de um único aspecto na minha personalidade”. “Sou uma pessoa sensitiva, sensível, uma pessoa com os sentimentos muito vulneráveis. Meus melhores amigos no mundo inteiro são as crianças e os animais. Eles são os únicos que lhe dizem a verdade e lhe querem francamente e sem nenhum tipo de reserva”.

“Os adultos aprenderam como esconder seus sentimentos e suas emoções”. Michael continua: “Podem mentir. Sorriem na sua frente e por detrás estão fazendo-lhe o mal”. “Quem dera que as pessoas não mentissem tanto e que dissessem o que verdadeiramente quem dizer. As crianças e os animais não aprenderam tais coisas e não podem lhe ferir muito”.

Michael minimizou sua queimadura, mas revelou algo de sua permanência no Centro de Queimados: “Quando estava ali, visitava as crianças doentes e feridas, já que sabia que eu podia mostrar-lhes amor. Me senti especialmente carinhoso com as crianças no hospital e, por tanto, com todas as crianças. Se não gosta de uma criança, ela lhe diz. Acredito que é porque posso falar com as crianças mais facilmente. Sabia que poderia fazer com que sentissem melhor. As pessoas que estão no hospital necessitam de muito amor e esperança. Quem sabe estando ali eu poderia fazer algo de bom”.

“Quando estive ali pela primeira vez, visitei um garoto que se chamava Keith Perry. Tinha queimaduras de terceiro grau sobre 95 por cento de seu corpo. Tinha sofrido um acidente de carro e não se acreditava que fosse viver. Depois de cinco meses internado no hospital, Keith não recebera nenhuma visita dos seus amigos, porque eless tinham medo de ver as terríveis cicatrizes de Keith sem ter ele culpa”.
Quando fui ao seu quarto, comentou comigo que estava com baixa estima e que não tinha mais vontade de continuar. Tentei mostrar a ele que tinha muita gente que o amava e que merece a pena viver a vida. Se ele acreditou em mim... tentei mostrar-lhe amor e o que o amor poderia fazer. Acredito que minhas palavras o animaram e lhe dei esperança para lutar e ganhar. Também dei a ele uma fotografia autografada minha, que está colocada na sua mesinha”.

Pude mostrar a Michael umas fotos de Keith, vestido e sentado em uma cadeira de rodas em uma reunião de grupo de recuperação de queimados. Quando Michael as viu, um grande sorriso marcou seu rosto e lágrimas apareceram em seus olhos.

“Estou tão feliz... – disse -. Sabe o que recuperou Keith? Foi o amor. O amor pode conseguir qualquer coisa, na realidade pode curar. Me sinto muito feliz ao pensar que fiz parte do processoo da recuperação de Keith”.

O Centro Médico Brotman está pensando em chamar a ala de queimados “Ala de Queimados Michael Jackson”. Quando lhe disse isso Michael, comentou: “Se fazem isso, irei ali e farei de tudo no que puder para ajudar essas pessoas. Até mesmo se não me nomearem, ainda assim eu irei. Quando se está doente, necessita de calor, alguém que cuide de você. Sei que as pessoas me querem e quero poder devolver todo esse amor”.
Insistiu em mostrar a casa e os jardins, e enquanto ia me mostrando, ia quase dançando. Em um momento parou e declarou: “Quero que veja o que estou construindo ao lado da minha casa”. Parecia uma Disneylândia em miniatura, que quando estiver pronta terá figuras animadas de animais, piratas e Abraham Lincoln. “Será como gente real, com a exceção de que eles não tentarão lhe pegar ou pedir favores. Esta será minha pequena Disneylândia. Me sinto cômodo entre esses bonecos. São meus amigos pessoais”.

Também me mostrou quatro cisnes (dois brancos e dois negros), além de um pavão real, que é seu pássaro favorito, segundo disse; também me mostrou sua llama e sua serpente.

Então entramos na casa de hóspedes a fim de conhecer um pouco mais de seus animais, que estão bem guardados em amplas gaiolas na mesa da cozinha. Havia coelhos e pássaros. Seus pequenos animais estão por todos os lugares y obviamente ele quer bem a todos eles. A cada paso parava e conversava com os coelhos e os pássaros nas gaiolas.

Conversamos sobre a fé fervorosa que tem nos Testemunhas de Jeová, mas estava desejando me fazer entender que o fato dele ser vegetariano não tem nada a ver com sua religião. Esta é minha forma de vida particular. Não tem nada a ver com a minha religião – me explicava -. Sou muito religioso. Tento levar minha vida no melhor caminho que conheço. O que as outras pessoas pensam do meu modo de vida é problema deles”.

Michael revelou que agora mesmo seu amigo especial adulto é Paul McCartney. “Vem sempre falar comigo quando tem tempo e assistimos filmes e desenhos animados juntos. É uma pessoa muito especial”.

Para os próximos meses, Michael Jackson tem um horário muito apertado. Me disse que seus irmãos e ele estão terminando um novo álbum intitulado “Victory” e que estão trabalhando em uma próxima turnê, ainda que tenha algumas dúvidas sobre o projeto.
“Realmente não estava seguro se queria fazê-lo, mas meus irmãos estão tão contentes com a idéia, que não pude dizer a eles que não”, me confessou.

Surpreendentemente, sai da entrevista com a idéia de que Michael está pensando em descansar depois da turnê. Ele afirma não ter tomado uma decisão mas admitiu: Depois de acabar, tirarei um descanso. Não estou dizendo que vou me aposentar, ainda não sei responder sobre isso. Mas acredito que mereça um descanso, tenho que fazer o que Michael quer, não o que os outros querem que eu faça”.

Michael é uma pessoa frágil e seu peso oscila entre os 60 kilos. Vem trabalhando muito durante esse ano e não posso evitar de me peguntar se ele é o suficientemente forte para agüentar a tensão da turnê. Pessonalmente, espero que se faça um reconhecimento antes.

Michael utiliza suas mãos suave e pausadamente enquanto conversa. Raramente olha nos olhos, ainda que estivesse de óculos escuros. Se expressa timidamente, até mesmo quando está alegre ou excitado com qualquer projeto.

Caminha com o mesmo balançar de seus pés que usa quando se encontra no palco, dançando. É um passo de alegria, de energia e de ritmo.

Sua voz é doce e seus dedos são finos e expressivos. Mas atrás de tudo isso se encontra a timidez que mostra um homem que necessita de amor. Mais que nenhuma outra coisa, o que Michael necessita é amar, é a pedra angular de seu êxito.

Enquanto a visita chegava ao seu fim, perguntei a Michael se ele gostaria de sair para comer alguma coisa. Rapidamente me respondeu: “Não posso sair daqui, seguramente me agarrariam”. Lhe perguntri que o que ele queria dizer com isso. Respondeu: “Meus fãs estão me esperando fora da casa. Estão na esquina e desejam chegar a me tocar. Sei que não querem me ferir, mas o farão sem saber”.

O terror em seus olhos era autêntico, enquanto acrescentava: “Simplesmente, não posso sair daqui

MJ, aos 20 anos




A Vida de Jackson, aos 20 anos
por Robert E. Johnson; traduzida por Bruno Couto Pórpora
Matéria publicada pela revista americana "JET", em 16 de agosto de 1979


Michael Jackson: Perto dos 21 anos mas não tem planos de casamento, namora mas não firme, tem medo de fãs obsessivas, fala sobre racismo e revela seu estilo de vida.

Michael Joseph (Sorridente) Jackson, o cantor principal de voz angelical do mundialmente famoso quinteto dos irmãos Jackson, é um jovem homem bonito cujo magnetismo e mágica no palco são excedidos apenas por sua majestade fora dele.

Nascido o quinto de seis talentosos filhos de Joseph e Katherine Jackson em Gary, Ind., aproximadamente 21 anos atrás (Ago. 29, 1958, ele é de Virgem, cuja característica é a generosidade, e é movido por forças magnéticas que colocam vários admiradores em sua vida, alguns dos quais geralmente fazem coisas estranhas para mostrar seu amor a ele.

Quando uma bela adolescente negra recentemente embarcou em um avião lotado e o viu sentado com seus irmãos, ela olhou incrédula, começou a respirar duramente e ficou tão excitada que começou a molhar suas calças e frisou enquanto a urina corria por suas pernas.

No portão de chegada onde as garotas se juntavam para conhecer os Jacksons, uma adolescente loira apertada pela multidão passou pelas guardas da segurança, puxou Michael para perto dela e tentou fazê-lo beijá-la.

Recentemente retornando de uma turnê mundial celebrando seu 10º aniversário no show business, Michael, o único filho Jackson que chegou à idade adulta e ainda não está casado, entrou em um quarto cheio de cartas, sorteando as que propunham casamento. Constrangido, Michael respondeu o mesmo: "Obrigado pela linda carta. É muito doce. E nós sempre iremos a amar. Amor, Michael Jackson e os Jacksons."

Michael deixa claro que não fica nada feliz em escrever a mesma carta a todas estas fãs que querem ele como marido. Mas ele responde com breve dignidade porque, na verdade, ele tem medo de fãs obcecadas.

Sentado na sala de jantar da casa de sua família, localizada em Encino, comprada do ator Clark Gable de "E O Vento Levou...", o jovem solteiro falou sobre casamento, namoro, e um vasto número de tópicos que o preocupam profundamente.

"Eu não gosto de quebrar corações," ele disse solenemente e tímido, arrumando seu corpo no sofá. "Eu não conheço essas pessoas e, Deus, é uma coisa estranha." Ele continuou:

"Isso, eu acho, é a parte estranha do show business. Você retrata uma imagem. E estas pessoas conhecem você há tanto tempo, comprando seus discos. Você está nas paredes delas. Elas acordam vendo você. Elas acordam pensando em você. Você está totalmente na mente delas. E quando elas conhecem você pessoalmente, sentem como se já o conhecesse há um longo tempo. Mas eu não conheço elas. Sabe, esta é a parte dolorosa do show business - quebrar corações. Você sabe o que isso faz a elas? Deus, algumas delas chegam ao ponto de cometer suicídio porque levam tão a sério. Isto é o que eu não sei como lidar."

Para a platéia feminina jovem cujas vocês estão indo agora de "não" para "sim", ele teme em especial. Sobre elas, ele diz, "Você tem de ser cuidadoso porque às vezes o amor pode reverter contra você. Elas sentem que não podem te ter e chegam ao ponto de planejar e fazer coisas terríveis para te machucar. Esse é o porque é tão importante ser gentil, mas sinceramente gentil."

Ele se lembrou do boato desagradável que aconteceu ano passado; uma falsa acusação de que ele teria passado por uma mudança de sexo. O boato ainda não está morto e ele diz que seu encontro com a loira apaixonada no aeroporto mencionada anteriormente o ajudou a revivê-lo.

"Esta linda garota com cabelos loiros estava tentando o máximo que podia para me beijar," lembra Michael. "Ela disse, 'Você é tão sexy, me beije.' Quando eu não demonstrei nenhum interesse nela, ela disse, 'O que há de errado, sua *****?' e saiu andando."

Ele lamenta que ainda tem de dizer às pessoas: "Há uma razão pela qual eu fui criado homem. Eu não sou uma garota. E o que me mata mais e me faz querer cair em lágrimas é quando criancinhas, de sete, oito anos, vêm me perguntar isso. Eu digo não e, por favor, diga a todos os seus amigos que não é verdade."

O que deixa Michael até mais perturbado do que o boato é o tipo de encomenda que ele recebe. "Você não acreditaria nas encomendas que eu recebo. Quero dizer, algumas delas são realmente vulgares," ele revela.

Para ele, tais encomendas são tão chocantes quanto ver um padre no cinema assistindo "The Devil And Mrs. Jones" ou "Deep Throat". "Algumas encomendas são realmente desagradáveis," ele diz. "Elas dizem as coisas que querem fazer em você e tudo, e como irão fazê-las. E eu apenas leio e digo, 'Ai meu Deus, essas garotas.' Não há muito charme nas garotas mais, como o cara que geralmente pegava o telefone e ligava para a garota. Ela nunca ligava pro cara. Ela ficaria sentada o dia inteiro até o telefone tocar. Mas agora as garotas te enchem até a morte... Você vê hoje garotas de 11 anos de idade com bolsas e batom e rímel. Elas acham que são mulheres e não são."

Não tenha a impressão que o cantor de voz fina é um santo. Como na descrição clichê - alto, moreno e bonito - Michael tem noção de que ele pode fazer agora, com 20 anos, o que ele costumava cantar quando ele tinha 10. Uma testemunha conhecida é a atriz ganhadora do Oscar Tatum O' Neal, filha adolescente do ator Ryan O' Neal.

Um repórter da "Modern People" citou a senhorita O' Neal dizendo que não podia esperar até ter seu primeiro namorado. Se ela acompanhou a ampla publicidade em cima do comentário que envolveu exclusivamente o Michael, ele não é do tipo de beijar e contar. Ele se recusou a discutir detalhes íntimos de seu namoro com Tatum, mas estava ansioso em explicar o romance. Primeiro ele admitiu os paralelos em suas vidas: ambos têm pais que os superprotegem. Tatum é uma filhinha de papai e Michael é um filhinho de mamãe. Ambos são atraentes e bem-sucedidos. Ela anda em um Rolls-Royce dirigido por um chofer, e o Michael milionário dirige seu próprio Rolls. Ambos são muito tímidos. Michael é uma das estrelas mais brilhantes do futuro e Tatum também.

"Eu quero que todos que lêem a JET saibam que nós somos apenas bons amigos," Michael afirmou. Admitindo as críticas constantes sobre suas relações, Michael meditou: "As pessoas levam isso ao absurdo e estendem as coisas e eu quero apenas dizer a elas que nós somos muito, muito, bons amigos. Isto é tudo que digo. Elas dizem, "Bem, quanto de amizade há? Há algum romance acontecendo?" Eu digo, sim às vezes, mas não o tempo todo."

Mesmo que namorar seja parte do seu estilo de vida, ele está mais interessado em dar um novo estilo de vida à casa de sua família, que agora está passando por renovações extensas. Enfatizando que ele não está pronto para mudar para sua própria casa como seus quatro irmãos casados (Jackie, Jermaine, Tito e Marlon), Michael explica:
Eu sempre quis fazer isso pela minha mãe. Ela ama lares e eu faço as coisas pelo sentimento e pela força. Eu não acho que seja o momento para me mudar. Há tantos coisas que eu quero fazer apenas ficando aqui.
"Se eu me mudasse agora, eu morreria de solidão. A maioria das pessoas que se mudam vão à danceterias todas as noites. Eles festejam toda noite. Eles chamam amigos para os visitar e eu não faço nenhuma dessas coisas. Eu iria realmente morrer de solidão."

Os planos de renovação de Michael irão incluir uma quadra de tênis, uma piscina remodelada, uma academia, um cinema, um estúdio de ensaios e uma biblioteca.

Vivendo em casa com sua mãe, Katherine, pai Joseph, irmão Randy, e irmãs, Janet e LaToya, o jovem entertainer explora muitos dos seus talentos e prende-se a preocupações sociais e religiosas.

No topo de suas preocupações estão religião e racismo. Um devoto Testemunha de Jeová, como sua mãe, ele diz: "Eu acredito na Bíblia e tento seguí-la. Eu sei que eu não sou um anjo e não sou um demônio também. Eu tento ser o melhor que posso e eu tento fazer o que eu acho que é certo. É simples assim... Eu não rezo apenas à noite. Eu rezo em diferentes horas durante o dia. Quando eu vejo algo bonito, eu digo, 'Oh, Deus, isso é lindo'. Eu rezo pequenas orações como essa o dia todo."
Para lidar com o estresse do show business, Michael diz que se vira para sua divindade, não drogas. "Por mais sentimental que possa parecer, as alturas na natureza são as melhores alturas do mundo," ele diz. "As estrelas, as montanhas, crianças, bebês sorrindo são mágicos," diz sorridente.

A única coisa que ofusca este brilho é o pertinente racismo que está desenfreado no mundo hoje, especialmente na América, o viajante mundial observa. Relembrando-se do quão mal os Jackson têm sido tratados nas cidades do sul, ele disse que era difícil de acreditar.

"As pessoas disseram a nós para lidar com isso (racismo) porque é como o Sul é," ele disse e adicionou: "Isto é ignorância e é ensinada porque não é realmente genética."

"Eu realmente não sou uma pessoa preconceituosa de forma alguma. Eu acredito que as pessoas deveriam pensar mais sobre Deus e a criação porque se você olhar dentre as diversas coisas dentro dos corpos humanos - as diferentes cores dos órgãos... e todas essas cores fazem coisas diferentes ao corpo - por que não podemos fazê-lo como pessoas?

"Isto (racismo) é a única coisa que eu odeio. Eu realmente odeio. E é por causa disso que eu tento escrever, colocar nas minhas músicas, na minha dança, na minha arte - para ensinar o mundo. Se políticos não podem fazê-lo, poetas deveriam o colocar na poesia e escritores deveriam o colocar em livros. É o que nós temos que fazer e eu acho que é tão importante salvar o mundo."

Leitor tão ávido quanto viajante, Michael, um aluno de colegial privado graduado que uma vez deixou a escola pública porque as garotas estavam sempre gritando e puxando ele, diz: "Eu amo ler. Eu queria poder aconselhar mais as pessoas a lerem. Há um mundo totalmente novo nos livros. Se você não pode pagar uma viagem, você viaja mentalmente pela leitura. Você pode ver qualquer coisa e ir a qualquer lugar que você quer ir na leitura."

Viajar e ler tem influenciado grandiosamente suas visões religiosas e raciais. Sobre suas viagens, Michael explica: "Em qualquer lugar que você vá, coisas feitas pelo homem são feitas pelo homem, mas você tem que sair e ver a beleza de Deus no mundo."

Refletindo sobre os problemas raciais na América, ele disse: "Eu gostaria de poder pegar emprestado de outros países, vamos dizer, como Venezuela ou Trinidad, o verdadeiro amor e pessoas que não vêem a cor e trazer isso para a América. Quando você viaja, você percebe o quão diferente a América é. Deus, eu odeio dizer isso mas o nosso povo sofre lavagem cerebral."

De todas suas viagens, ele diz que suas experiências mais emotivas e tocantes vieram das viagens em Dakar, Senegal. "Eu vou levantar a minha mão (para Deus) nesta aqui," ele se acendeu como uma lâmpada. "Eu sempre pensei que os negros, em termos artísticos, eram a raça mais talentosa na terra. Mas quando eu fui à África, eu fiquei até mais convencido. Eles fazem coisas incríveis lá... Eles têm as batidas e o ritmo. Eu realmente vejo de onde a bateria vem. Faz você pensar que todos os negros têm ritmo... Eu não quero que os negros jamais se esqueçam que este é o lugar do qual nós viemos e de onde nossa música veio. E se nós esquecermos, isto (história negra) realmente iria se perder. Eu quero que nós lembremos."


Fonte: Michael Jackson - Extraordinary

O Michael Jackson






Data: Dezembro de 1984
O Michael Jackson que ninguém conhece
Revista Ebony

Enquanto o magnético líder do The Jacksons, cuja Victory Tour vem atraindo os maiores públicos nos concertos e vendeu mais entradas que ninguém antes na história do show business, Michael Jackson é um extraordinário ser humano que está à frente de sua categoria.

A pesar de que leva nisso 20 anos, o cantor-dançarino e ator de 26 anos não vinha sendo reconhecido como super-estrela até que seu álbum Thriller se converteu no disco mais vendido da história. Desde então, muito vem sendo escrito sobre ele, mas o homem que existe por trás da super-estrela é todavia um mistério e um enigma para a mídia.

O Michael Jackson que é retratado pela mídia branca (para o público branco), soa ser o Michael dos rumores, das fofocas, e em certas ocasiões até mesmo difamado, não é o Michael que é visto e que dele temos notícias desde que surgiu do anonimato na cidade do aço em Gary, em 1970. Esse Michael Jackson, o Michael Jackson que ninguém conhece, é calado, sensitivo, vibrante, muito atento aos mistérios da vida e da maravilha e a magia das crianças. Faz meses que me disse que estava cansado da onda de mentiras da imprensa branca. O que disse então foi refletido no extraordinário e revelador comunicado que deu em uma rede de imprensa através de seu empresário, Frank Dileo:

"De um temp para cá, tenho estado buscando na minha consciência se deveria ou não reagir publicamente a todas as falsidades que estão sendo atribuídas a mim. Decidi fazer este comunicado baseado na injustiça dessas acusações. E pelo trauma daqueles que estão próximos a mim estão sofrendo. Me sinto muito feliz por ter sido elogiado com o reconhecimento dos meus esforços. Este reconhecimento também traz consigo uma responsabilidade para com meus fãs de todo o mundo. Os artistas sempre deveriam servir como modelos para a gente jovem. Me entristece que muitos, muitos acreditem na crescente onda de falsas acusações que são feitas atualmente.

Para acabar, e quero dizer ACABAR

Não! Nunca tomei hormônios para manter os tons altos da minha voz.

Não! Nunca alterei meu rosto de forma alguma.

Não! Nunca fiz cirurgia plástica nos olhos.

SIM! Um dia no futuro quero me casar e ter família. Qualquer notícia ao contrário é simplesmente falsa. "De aqui em diante, quandoforem publicadas novas fantasias, já passei para meus advogados o meu desejo de tomar ações legais e conseqüentemente, perseguir todos os culpados em toda a extensão da lei.

Como disse antes, adoro as crianças. Todos sabemos que as crianças são muito impressionáveis e por isso, suscetíveis frente a essas histórias. Estou seguro que alguns já tenham sido feridos por essas difamações terríveis. Como ferido em sua admiração, gostaria de continuar tendo seu respeito".

Michael Joseph Jackson, cujo segundo nome é o nome de seu pai, já ganhou o respeito dos artistas que sempre admirou, da mesma forma que ganhou o título de "o melhor artista do mundo".

Seu álbum Thriller vendeu mais de 35 milhões de cópias e segue vendendo. Ganha aproximadamente 2 dólares dos 5 que custa o álbum, ele por alto, já colocou nos bolsos 70 milhões com as vendas mundiais.

Organiza e encabeça corporações que administram seus negócios, incluindo Michael Jackson Inc., que faz a gestão dos benefícios dos royalties de seu álbum e vídeo; Experiments In Sound, que se ocupa de novas técnicas de gravação; e Optimum Productions, que produz seus clips, além de outros artistas.

Ele é o máximo ganhador de prêmios por disco e vídeo já que recebeu 8 American Music Awards sem prescedentes, 8 Grammy Awards batendo o recorde e o MTV Video Award.

Sendo o quinto dos seis filhos talentosos de Joseph e Katherine Jackson em Gary, Indiana, faz 26 anos, é um pensador em positivo e um artista creativo motivado por uma profunda preocupação pela humanidade e mostra um incansável amor pela sua profissão. Seu amor pelos fãs que se converteram em admiradores é, talvez, algo sem prescendentes.

O amor é o que faz Michael embarcar em uma das turnês com maior pressão de toda a sua carreira. Ainda que a Victory Tour dos Jacksons gere mais de 70 milhões de dólares, ele não atua pelo amor ao dinheiro. Disse que o faz pelo amor da família, fãs e suas organizações beneficentes favoritas. Ainda está previsto que seus pais , que organizaram a turnês junto com o empresário de boxe Don King, ganhem 5 mihões de dólares e cada irmão ganhe 7.5 milhões, Michael anunciou que sua parte dos ganhos com a turnê iriam para três causas que ele acha merecer a pena. Estas são a United Negro College Fund (UNCF); Camp Good Times para crianças com doenças terminais e a T. J. Martell Foundation que faz pesquisas para a cura da leucemia e câncer.

"As crianças são a minha maior inspiração em tudo que faço. Adoro as crianças, sou louco por elas. Queria escrever um tema, o estilo canção de rock que eu compraria... queria que as crianças disfrutassem realmente com ela, tanto as crianças que estão no colégio como os que estão na universidade" disse o sensível compositor cujas canções favoritas são a Suite de o Quebra Nozes de Tchaikovsky e Pedro e o Lobo.

Falou da canção Be Not Always, que escreveu com uma pequena ajuda de seu irmão, Marlon. Nessa canção sensível e sentimental gravada para o álbum Victory, Michael faz uma oração melosa para que se mude um mundo em que as "mães choram e crianças morrem em seus braços sem ajuda..." Observou que todos seus irmãos pensavam o mesmo sobre as crianças, e ele somente.

Recordando a superestrela Josephine Baker, uma artista que ele admira, tinha as 'nações unidas' de crianças que tinha adotado, Michael sorrie com vontade e diz com segurança:

"Vou ter meus filhos, mas vou adotar tantas raças puder. Isso é o que vou fazer. Adoro crianças. Como Emmanuel Lewis, é uma grande inspiração".

Nada inspira mais o orgulhoso artista do que sua família e seus fãs. Falou brevemente sobre isso quando os jornais publicaram notícias de que ele estava cansado depois do êxito de Thriller e da proliferação dos prêmios, que incluem o American Black Achievement Award da Ebony.

"Já que consegui quebrar recordes com Off The Wall e além disso sendo considerado o melhor cantor de todos os tempos e agora com Thriller, que é o disco mais vendido da história, não estou planejando deixar nada" disse sobre o rumor de que quer deixar The Jacksons depois da turnê. "São meus irmãos e quero muito todos eles e acredito que a mídia busca o que seja para vender jornais e invetam coisas"

Michael disse no começo da turnê, "Faço pela diversão da turnê e da família inteira, e pelas crianças aí fora que compram os discos. Sou um viciado pelo palco. Tenho que estar no palco". Uma vez em uma entrevista em sua casa na Califórnia, onde mora com seus pais e sua irmã LaToya, Michael disse, "Gostaria que registrasse: 'Meu amor principal pelo que faço são os fãs. Adoro os fãs. Como quando estou atuando e vejo os fãs ali dançando e gritando, excitados, e estamos dando a eles alegria, é o que mais gosto. É simplesmente o melhor sentimento do mundo. Está ali em cima e está dando energía e esse amor, eles devolvem para você. É fantástico. Esse é o principal, o amor, o palco e fazer felizes esses fãs".

A entrevista continua, Michael fala de muitos assuntos que revelam coisas sobre ele que foram passadas por alto na exurrada de rumores da imprensa. Estas são algumas das suas visões




EBONY: Tem que lidar com muito estresse e pressão no mundo dos negócios do entretenimento. As pessoas fazem todo tipo de exigência e oferece várias propostas de todos os tipos. Como lida com todo esse estresse e pressão?

MICHAEL: Eu faço e não estou me chamando de Jesus porque jamais me veria no mesmo nível, mas comparo com Jesus porque o que Deus lhe deu foi por uma razão e ele pregava e as pessoas iam até ele e ele não se cansava nem dixava ninguém de lado nem dizia ' me deixem em paz, não tenho tempo'.

EBONY: Mas deve encontrar alguns fãs que te pressionam e te provoca.

MICHAEL: Me canso as vezes porque tem uns que vem com a pior das atitudes, e dizem, 'Senta aí e autografa isso para a minha filha' e depois arrancam o papel das suas mãos. Eu ainda pergunto 'Você tem uma caneta? e dizem 'Você não tem uma caneta? Vê então se consegue alguma'. Isso foi o que já chegaram a me dizer. Piro com algumas pessoas. Acham que são seus donos. E lhe dizem, 'Olhe, eu sinto falta do jeito que você era'... e digo, 'Espera um minuto. Você não comprou meu disco para me ajudar. Se você comprou é porque você gosta, essa é a verdade".

EBONY: Eles vêm você como um modelo a seguir. Uma vez você se apresentou na Biblioteca Pública de Chicago para animar os jovens e adultos que estavam lá lendo e lhe presentearam com um marcador de livros com uma frase sua. Você gosta de ler?

MICHAEL: Eu adoro ler. Eu gostaria de recomendar as pessoas para que lessem. Há outro mundo nos livros. Se você não pode pagar viagens, pode viajar mentalmente através da leitura. Pode ver de tudo e visitar o lugar que queira na leitura.

EBONY: Você já teve oportunidade de ler coisas sobre a experiência dos negros em termos da História da raça negra?

MICHAEL: Oh, sim! Estou muito agradecido pelo que o Sr. Johnson fez editando livros com seu Johnson Publications... Acredito que é bom mostrar que estamos contribuindo para o mundo de muitas formas. Isso é o que pensam muitos, que não temos contribuído.

EBONY: Como vê o que os negros de hoje estão fazendo, dizendo e pensando? E quem são as pessoas, além da sua família e amigos, que influenciam seu pensamento?

MICHAEL: Gosta como Johnson leva suas organizações. Parece que todo mundo é realmente amável. Estou seguro que haverá guerras e essas coisas, mas todo mundo é boa gente... e tem muita influência nos jovens. Há gente que leva sua vida segundo as revistas JET e EBONY. Quero dizer, eles lêm a informação nessas duas revistas e as crianças pequenas também. Se digo onde você leu isso? Dizem 'Li no JET'. E todos sabem o que se passa com JET e EBONY. Acredito que isso é maravilhoso... Deus, admiro a gente como Johnson e Disney. Acredito que são fenomenais.

EBONY: Você fala da influência dos livros e das pessoas em sua vida. Que parte entram as viagens na formação das suas atitudes e a visão do exterior na sua vida?

MICHAEL: Acredito que antes que alguém se case, deveria viajar pelo mundo se pudesse. É a educação mais incrível que teria. Acredito que é fenomenal. Me refiro ao ver as distintas culturas das pessoas, caras diferentes, falar com as pessoas e simplesmente aprender e ver... Quando viajo fico impressionado. A primeira vez que fui a Suíça, quase começo a chorar. E realmente o fiz.

EBONY: E o que lhe impressionou nessa viagem para se tornar tão emocional?

MICHAEL: A beleza. É como, oh, Deus, é como ver o céu chorando. É um país incrível e me inspira muito ver esse tipo de coisas - as montanhas. As fotos não fazem justiça a Suíça. Também está a Holanda e a França, também são incríveis!

EBONY: Obviamente, quando trabalha, é mais que um turista, é um observador.

MICHAEL: Bom, muita gente ficam simplesmente nas cidades quando viajam. Deveriam sair e ver o país realmente. Vá onde há coisas criadas pelos homens, estão ali, tem que sair ali e ver a beleza de Deus.

EBONY: Nas suas viagens, que países mais lhe impressionaram?

MICHAEL: Vou levantar a mão nessa pergunta. Direi isso. Sempre pensei que os negros, no campo do espectáculo, são a raça com mais talento. Mas quando fui a África, fiquei mais convencido. Fizeram coisas incríveis ali [no oeste da África incluindo o Senegal]. Fomos a um lugar onde os africanos vendiam coisas feitas à mão e isso. Fui a uma cabana onde um homem fazia objetos de madeira talhada... tomava uma madeira e uma coisa como um machado e começava a talhar e eu estava ali sentado impressionado. Talhou um grande rosto... colocou na água, limpou, me deu e eu só paguei.

EBONY: Parece impressionado pela arte africana mas que me diz da música e da dança africana?

MICHAEL: Quando pousamos no avião na África [Dakar, Senegal], fomos recebidos por uma grande fila de dançarinos africanos. Seus tambores e sons encheram o ar de ritmo. Quase enloqueci, começei a gritar. Dizia "Muito bom!" Tem o ritmo no sangue... Me encantou tudo aquilo. Isto é, disse. É daqui de onde venho. É a origem...

EBONY: Obviamente você se impressionou com nossas raízes musicais, como acredita que os africanos derivaram nessa influência musical?

MICHAEL: A música começou com a natureza. Música é natureza. Os pássaros fazem música. Os ocaanos fazem música. O vento faz música. Os sons da natureza são música. E ali foi onde começou... Vê, estamos fazendo uma réplica da natureza, que é o som que escutamos de fora.

EBONY: Influeciaram você as viagens que fez na sua forma de pensar sobre as raças das pessoas gente?

MICHAEL: A coisa que mais odeio é a ignorância, como os problemas de preconceito na América. Acredito que é ainda pior em alguns países. Mas espero que possa tomar emprestado, de lugares como a Venezuela ou Trinidad, o amor real das pessoas que não enxergam cor e trazê-lo para a América.

EBONY: Está fazendo algumas observações com um sentimento intenso. Por favor, continue..

MICHAEL: Tenho preconceitos com a ignorância. Contra isso tenho preconceitos. É só a ignorância e se aprende porque não é genético em absoluto. as crianças nesses países não tem preconceitos. Gostaria que escrevesse isso também. Realmente não sou uma pessoa com preconceitos. Acredito que as pessoas deveriam pensar mais sobre Deus e a Criação... Olhe para todas as maravilhas dentro do corpo humano, as cores distintas dos orgãos, as cores do sangue e todas essas cores são distintas no corpo humano. É o sistema mais incrível do mundo; é uma construção incrível, o ser humano. E se isso pode ocorrer no corpo humano por que não podemos fazer conosco? É assim como me sinto. E por isso desejo que o mundo faça algo mais. Isso é a única coisa que odeio. Realmente eu odeio.

EBONY: O que acaba de dizer não é só compreensivo mas sim obrigatório. Como comunica esses sentimentos já que não faz aparições públicas para expressar suas opiniões em lugares públicos?

MICHAEL: Trato de escrver, por em uma canção. Por na dança. Por na minha arte e mostrá-lo ao mundo. Se os políticos não podem fazê-lo, eu quero fazer. Temos que fazê-lo. Os artistas colocam em seus quadros. Os poetas colocam em suas poesias, livro. Isso é o que devemos fazer. Acredito que é muito importante para salvar o mundo.

EBONY: Stevie Wonder aparentemente tem opiniões iguais, a julgar por algumas de suas mensagens musicais.

MICHAEL: Por isso gosto tanto do disco mais vendido de Stevie Wonder, que se chama Songs in The Key Of Life. Tem uma faixa nesse álbum chamado Black Man... Começei a saltar gritando quando escutei esse disco porque está ensinando ao mundo o que fez o homem negro e o que fizeram outras raças, e o faz com um balanço precioso ao por também as outras raças alí e o que foi feito. Então saca o que fez o homem negro. Em vez de chamá-la de outra forma, a chamou de Black Man, isso foi o que gostei...E essa é a melhor forma de mostrar a verdade, através de uma canção. E isso é o que me fez gostar.

EBONY: Parece que não tem queixa sobre as mensagens na música e quando as mensagens sejam positivas. Sua música, ao contrário que outros artistas, está limpa de mensagens que glorificam as drogas. Mas as drogas são uma realidade. Como você vê isso?

MICHAEL: Na área onde estou, há muito disso e me oferecem todo o tempo. Tem pessoas que vão mais longe...colocam no seu bolso e vão embora. Agora, se fosse uma coisa boa, não fariam isso... quero dizer, você colcaria algo bonito no bolso e iria? Não quero ter nada que ver com isso. Quero dizer, tão absurdo como possa parecer, mas é como acredito: Os energizantes naturais são os melhores do mundo... quem quer tomar algo e ficar sentado por ali o resto do dia depois de tomar (drogas), e não saber nem o que é, o que faz, nem onde está? Faça algo que lhe inspire fazer coisas melhores no mundo.

EBONY: Coloca Deus ou a religião nesse processo de energizante natural?

MICHAEL: Oh, sim, Deus, claro. Acredito na Bíblia e trato de seguir a Bíblia. Sei que sou uma pessoa imperfeita... não me vejo como um anjo porque não sou um anjo e tampouco sou um demônio. Trato de ser o melhor que posso e de fazer o que é certo. É assim, simples. E acredito em Deus.

EBONY: Você tem as orações ou o reza, que papel tem na sua vida?

MICHAEL: Rezo todas as noites. Não somente pela noite. Rezo em distintos momentos do dia. Quando vejo algo bonito, onde veja algo precioso, como quando estou voando ou algo assim, digo, oh Deus, é precioso. E sempre digo pequenas orações como essa durante todo o dia. Me encanto com a beleza.

EBONY: Falando com a beleza, você tem sido ligado de uma forma pública com gente bonita, incluindo suas irmãos que são bonitas, LaToya, Rebbie, e Janet, mas também com Diana Ross, Tatum O'Neal e Brooke Shields. Você teve um vínculo romântico com as duas últimas. Alguém disse que você e Tatum tinham muito em comum: os pais de ambos são muito protetores - ela é a garotinha do papai [Ryan O'Neal] e você o garotinho da mamãe [Katherine Jackson].

MICHAEL: Quero que os leitores da JET e EBONY saibam que somos principalmente grandes amigos. Isso é o principal. Acerdito que para os rapazes, as garotas sejam as melhores amigas. E para as garotas, os rapazes sejam os melhores amigos...

EBONY: Que relação você tem com a Brooke? Quando a conheceu e que relação foi criado?

MICHAEL: A conheci nos Oscars. Ela me perguntou se gostaria de dançar com ela porque eu não sei se iria pedir. Sabe, sou realmente tímido e fico vermelho. Então ela disse, 'quero dançar contigo essa noite' e disse 'genial'. Assim fomos para a pista e dançamos. Estavam pondo música antiga de Benny Goodman e Tommy Dorsey, que não tem muito ritmo. Primeiro, então a pista se encheu de velhos calvos dançando bem devagar na pista, o som de Lawrence Welk. Realmente não podíamos nos meter ali assim então resolvemos fugir e conversar para nos conhecer. Trocamos nossos números e tivemos conversas pela telefone e chegamos a ser bons amigos.

EBONY: Significa isso que Brooke tomou lugar da Tatum como amiga especial?

MICHAEL: Tatum me liga todo o tempo e espero que ela leia esta entrevista porque sinto em não poder responder todas as suas ligações. Todavia é uma grande amiga minha.

EBONY: As duas, tanto Tatum como Brook são boas atrizes. Você se saiu muito bem em The Wiz. Que futuro tem no cinema?

MICHAEL: Estou muito interessado em muitas coisas que quero fazer e quero fazer filmes e essas coisas. Não posso esperar... Desde The Wiz, me tem chegado ofertas incríveis, coisas que todavía estão afundando...

EBONY: Disse uma vez que teria muito cuidado ao escolher seu próximo papel para não ficar encalhado. Disse que desde The Wiz, algumas pessoas ainda lhe chamam de "espantalho" devido ao papel que fez.

MICHAEL: Eleja o papel que eleja, as pessoas o associam com a sua personalidade. Mas é atuar. Está fazendo o de outra pessoa...gostaria que não chamasse atuar porque não gostam os atores, quer dizer, a palavra atuar.

EBONY: Por favor, explique.

MICHAEL: Não acredito que atuar deva ser atuar. Atuar, se está atuando, está imitando a realidade. Deve criar a realidade. Deveria ser chamado crença. Vê, sempre estou sendo do contra quando penso em atuar. Não quero ver um ator. Quero ver a um crente. Não quero ver ninguém que vá apenas imitar a realidade. Porque assim não é real. Quero ver uma pessoa que creia que seja de verdade... Assim é quando se comove a um público.

EBONY: Que tipo de pergunta você gostaria que lhe fizessem e que ninguém ainda o fez?

MICHAEL: Essa é uma boa pergunta. Seguramente sobre as crianças ou sobre compor, ou sobre o que acabamos de falar... Não se faz um mundo melhor de mentes e coisas quando as pessoas põe coisas negativas nas suas letras e com visões erradas no palco e isso. É tão importante e acredito que isso pode guiar muitas pessoas, porque um artista pode chegar tão alto na sua carreira que isso pode mudar todo o mundo na forma em que atua e pensa. Eles escutariam você antes que ao Presidente ou algum desses grandes políticos. Por isso tem que ter cuidado. Eles podem mudar a forma da vida das pessoas pela forma com o que diz ou fazem. Por isso é tão importante regar essas vibrações de amor e por isso adoro o que faço... Quando Marvin Gaye lançou o álbum, What's Going On, muitos negros e alguns brancos, mas sobre tudo negros, se educaram. 'Desperta. Que está passando? Desperta'. Quero dizer aqueles que não vê as notícias, não lêem os jornais para aprofundar o sentido do humanismo. Que está passando? Desperta.

EBONY: Tem havido umas campanhas contra as chamadas letras sujas cantadas por alguns grupos populares. Você tem alguma opinião a respeito desses grupos e suas letras?

MICHAEL: As vezes, vão demasiado longe. Não deixam nada para a imaginação. Se eu saísse nú no palco não haveria imaginação, não estou deixando imaginar como seria eu sem roupa. Mas, vê, eles passam... Devemos deixar algo para a imaginação. As pessoas as vezes vão longe. Acredito que é importante ver o exemplo correto porque há muitas crianças que nos assistem.

Enquanto acaba o ano mais produtivo da sua carreira no showbusiness e seu talento o ajudou a conseguir uns 100 milhões de dólares, Michael não está disposto a dormir sobre os louros. Se enfrenta a um futuro guiado por duas observações, ambas ditas por ele mesmo: "Estou interessado em fazer um caminho ao invés de seguir o dos outros e é isso que quero fazer na vida, em tudo no que faço" Michael me disse isso em uma entrevista no dia 13 de julho de 1979.

A outra observação que fez em seu papel como espantalho em The Wiz, um filme em que protagonizou com uma de suas queridas amigas - Diana Ross.

Em uma das cenas quase no fim do filme, Michael disse essas palavras através de seu papel de espantalho: "Êxito, fama, fortuna - tudo são ilusões. O que é real é a amizade que nós podemos compartilhar".